A situação financeira de Minas Gerais vai se mal a pior. E não é de uma hora para outra, num estalar de dedos, ainda mais na reta final do mandato, que o governador Fernando Pimentel, do PT, vai mudar esta realidade. Para ser mais direto, é preciso reconhecer que a gestão petista foi quase catastrófica, sem se deixar marcas ao longo de quatro anos, seja por meio de obras físicas ou sociais, em todo Estado, mais precisamente no Norte de Minas. Mesmo assim, Pimentel foi majoritário por aqui, na busca pela reeleição, o que não dá para entender. Derrotado nas urnas, agora, mesmo com votação que se pode considerar boa, pelo desgaste progressivo que experimenta, por uma série de fatores, o petista acei tou o resultado. E não havia outro caminho que não fosse aceitar a vontade da maioria, que o reprovou nas urnas, impedindo-o de conquistar o segundo mandato consecutivo. Com a derrota, que compromete seu futuro político, Pimentel se aquietou. Espera o tempo passar com sua habitual velocidade, para transferir o comando do Estado ao governador eleito Romeu Zema, do Novo.

O governador vai entregar ao sucessor um Estado destroçado, quase literalmente falido com pendências financeiras com as prefeituras, que hoje passam de R$ 9,4 bilhões, de acordo com o último levantamento da Associação Mineira de Municípios (AMM). A dívida é originária de retenção de recursos constitucionais, o que significa a prática de crime de apropriação indébita, previsto no artigo 168 do Código Penal Brasileiro. Pimentel pode ser processo por este motivo e ter novas dores de cabeça mais adiante. Se não bastasse este imbróglio com os municípios, ainda tem o grave problema dos servidores estaduais, cujos salários foram parcelados em três vezes, ca usando-lhes toda sorte de problemas. De um lado, os prefeitos protestam e buscam apoio aqui, ali e acolá para tentar resolver a situação no apagar das luzes da gestão petista. Do outro, os servidores se manifestam e anunciam paralisação a partir desta sexta-feira, em função da incerteza do recebimento do salário de outubro e do décimo terceiro salário. Eleito com expressiva votação, Zema sabe o tamanho do abacaxi que o espera e que terá que descascar.