O presidente Jair Bolsonaro, do PSL, vai cumprir o compromisso assumido na campanha eleitoral de reduzir a estrutura do governo federal como forma de economizar recursos públicos. E o faz corretamente. Passará de 29 para 20 ministérios funcionais, acabando com aqueles que se considera sem importância, que se transformaram ao longo dos anos, em cabides de empregos, para acomodar cabos eleitorais dos partidos políticos. E que consomem recursos expressivos. A polêmica, no entanto, fica por conta da extinção do Ministério do Trabalho, a partir de primeiro de janeiro, confirmada nessa segunda-feira pelo ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni. Com isso, as atividades da pasta serão distribuídas entre os ministérios da Justiça, da Economia e da Cidadania. Concessões de cartas sindicais e fiscalização das condições de trabalho ficarão a cargo da equipe de Sergio Moro, da Justiça. Sob o guarda-chuva de Paulo Guedes, da Economia e Osmar Terra, da Cidadania, serão divididas as políticas de emprego, contemplando ações voltadas para o empregador e para empresários.

A decisão provocou reação imediata e contrária de setores da sociedade. O ministro do Trabalho e Emprego Caio Vieira de Mello, considera a extinção da pasta no futuro governo como retrocesso, que provocará um “desmanche” nas atividades de fiscalização do trabalho. É um ato complexo, de repercussão de grande dimensão. Para ele, a medida deverá contribuir para piorar a condição social do trabalhador. Entidades de defesa dos direitos do trabalhador também não concordam com a extinção do Ministério do Trabalho. Trata-se de uma conquista histórica. Em 26 de novembro de 1930, o então presidente Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho. Essa foi uma das primeiras medidas implantadas pelo presidente, que assumiu o governo no dia 3 do mesmo mês. Vargas ficou conhecido com o “pai dos pobres” pelas suas medidas em prol dos trabalhadores. Agora, Bolsonaro vai à contramão da direção e passa a receber mais críticas antes mesmo da posse ao confirmar a extinção da pasta, que tem papel social relevante na sociedade brasileira.