ROBERTO PARENZI (*)

Caro Presidente: votei em Vossa Excelência nas últimas eleições. Embora tenha assim procedido por falta de opção, tive a expectativa de que iria trabalhar pela moralização do país, único caminho que o faria conquistar o meu entusiasmo. Ao que parece, ao abandonar as intenções que deixou transparecer em sua campanha, perdeu o rumo chegando a ignorar aquilo que denominamos “liturgia do cargo”, e no seu caso, o cargo máximo de governante de um país. Essa liturgia, à qual não dá nenhuma importância, impõe determinados comportamentos no desempenho das suas funções.

Se eu pudesse aconselhar-lhe, começaria assim: - Deixe as redes sociais apenas para comunicados que sejam relevantes para o país e para o seu povo. Não bata boca com a imprensa na porta de seu palácio. Troque essa postura por comunicados oficiais, formais e elaborados em conjunto com sua assessoria de imprensa. Veja, por exemplo, esse seu affaire online com o presidente da França. Nem mesmo um espírito nacionalista, em defesa da independência de um país, justificaria responder a um post popular, meme ou sei lá o quê, com tamanho deboche à primeira dama de um país irmão. Essa não foi uma conduta digna de um homem de bem...