Depois de vencer o primeiro desafio de aprovar na AssembLeia Legislativa a reforma administrativa, que reduziu a estrutura do Estado, mesmo sem bancada consistente do ponto de vista numérico para garantir a governabilidade, o governador Romeu Zema, do Novo, tem outro desafio pela frente. Agora, mais difícil, que é aprovar a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal do governo federal, apontada como alternativa para tirar o Estado do sufoco financeiro em que se encontra e que se tornou visível na gestão passada. Embora esteja articulando junto aos deputados, com o propósito de mostrá-los a necessidade de adesão ao programa federal, à dificuldade é justamente porque entre as condições impostas está a privatização da Cemig e da Copasa e a vedação de se reajustar os salários dos servidores durante o tempo de vigência da adesão. Além do que, o governador quer, ainda, aprovar PEC que desobriga o Estado de fazer consulta à população sobre a venda das empresas. Sem este aval, ainda que os deputados concordem, a privatização não poderá se efetivar. 

O governo pretende enviar o projeto logo à Assembleia, mas consciente de que ele enfrenta resistência desde quando foi anunciado pelo governador. Mesmo com as articulações do governo, a tendência é de a resistência até aumentar, em função da pressão das entidades defensoras dos servidores, que não admitem nem por hipótese, o congelamento dos salários por um espaço de tempo, o que os prejudicaria com a redução do poder de compra e da qualidade de vida. O novo secretário de Governo, deputado federal licenciado Bilac Pinto, do DEM, que substitui ao ex-deputado Custódio Matos, exonerado semana passada, assume a pasta com o desafio de convencer os deputados estaduais a aprovar a adesão de Minas ao programa federal. Experiente, ele sabe que a tarefa não será nada fácil, porque os parlamentares não vão emprestar o apoio político de graça. Querem algo em troca, como acontece na Câmara dos Deputados. Bilac precisa de autonomia para atender pelo menos algumas reivindicações dos parlamentares e criar ambiente favorável à aprovação dos projetos do governo.