DOM JOÃO JUSTINO DE MEDEIROS SILVA (+)

O ser humano, como ser criado, entra na história de modo tão frágil que requer inúmeros cuidados. De fato, seus primeiros anos de vida são revestidos de grande demanda de atenção. Geralmente, no seio de uma família, precisará atravessar a infância e a adolescência para alcançar, quando jovem adulto, maior independência. A existência humana é permeada de incertezas e imprevistos. A vida é cheia de limites e de riscos, de erros e acertos. A velhice comporta novo processo de limitação. Tudo isso faz lembrar o famoso enigma da esfinge: “Qual animal caminha sobre quatro pernas de manhã, duas pernas durante o dia, e três pernas à noite?” A resposta ao enigma é o homem. Quando criança engatinha, quando adulto caminha com suas pernas e quando idoso tem o auxílio da bengala. Nada mais figurativo da contingência humana. 

No longo percurso de sua maturação, cada pessoa tem a chance de descobrir que pode muito, mas não pode tudo. A onipotência não é um atributo da humanidade. Muitas das pirraças infantis são uma reação psicoemocional ao limite que se apresenta inexorável. Talvez, pais e mães não consigam medir a importância de sustentar um “não” perante os desejos sem fim de seus filhos. Nem todos concordam que a experiência de uma frustração produz efeitos muito interessantes para a maturidade, especialmente como preparação para a vida em sociedade.