LUIZ FERNANDO SARMENTO (*)

Permanecem os mistérios

Sinto que eu, como qualquer um, sou fruto do que vivi. Tenho me sentido bem, neste amadurecimento do meu corpo. A memória falha, acerta, às vezes falseia e eu mesmo acredito em minhas lembranças, veras ou imaginadas. 

Do que me lembro assim, tive uma infância saudável, num ambiente familiar fraterno, amoroso, com as naturais limitações humanas, culturais, ali, acolá, de cada um de nós, contemporâneos em convivência. 

Curioso, li um tanto, outro tanto vivenciei novidades, mesmo com aquele quase eterno medo de tudo que é novo e não conheço. Arrisquei, nunca além do que, consciente, intuía possibilidades de mal me fazer. 

Já na primeira infância, acredito, eu era diferente do que antes fui, logo que nasci. Imagino poderia ser com qualquer semelhante. Cada momento, um momento novo, desconhecido para mim, ser nascente.