{"id":100619,"date":"2025-06-26T10:19:27","date_gmt":"2025-06-26T13:19:27","guid":{"rendered":"https:\/\/jnnoticias.com.br\/inchaco-nas-pernas-pode-ser-lipedema-veja-outros-sintomas\/"},"modified":"2025-06-26T10:19:48","modified_gmt":"2025-06-26T13:19:48","slug":"inchaco-nas-pernas-pode-ser-lipedema-veja-outros-sintomas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jnnoticias.com.br\/?p=100619","title":{"rendered":"Incha\u00e7o nas pernas pode ser lipedema: veja outros sintomas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Como muitas pessoas, a professora Kallyne Kafuri Alves acabou ganhando alguns quilos durante o isolamento social da pandemia de covid-19. Ela\u00a0voltou a se alimentar melhor e a fazer exerc\u00edcios depois que as medidas sanit\u00e1rias afrouxaram, mas\u00a0o peso extra n\u00e3o ia embora, especialmente nas pernas.<\/p>\n<p>&#8220;Elas ficavam sempre muito inchadas, com um aspecto feio, e eu sentia muita dor. \u00c9 como se eu estivesse vestindo uma cal\u00e7a jeans grossa, bem molhada&#8221;, lembra Kallyne,\u00a0que mora em Vit\u00f3ria,\u00a0no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Um dia, a professora\u00a0pegou carona com uma aluna que, casualmente, comentou que precisava ser muito cuidadosa com os exerc\u00edcios e a alimenta\u00e7\u00e3o, porque tinha lipedema, <strong>uma doen\u00e7a que causa excesso de gordura nas pernas, dor, incha\u00e7o e outros sintomas<\/strong>.\u00a0&#8220;Ela falou tudo que eu sentia!&#8221;, recorda\u00a0Kallyne. Foi quando sua ficha caiu.<\/p>\n<p>Depois de receber o diagn\u00f3stico de um especialista, ela reavaliou sua vida, e percebeu que sempre sentiu dores estranhas nas pernas. Al\u00e9m disso, finalmente entendeu porque elas passaram a ter um aspecto diferente, &#8220;como uma casca de laranja&#8221;, conforme Kallyne crescia. A professora tamb\u00e9m se deu conta de que n\u00e3o estava sozinha:<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cMinha m\u00e3e e minha av\u00f3\u00a0tamb\u00e9m tinham a mesma apar\u00eancia do corpo, lembro especialmente da apar\u00eancia das pernas delas e, analisando hoje, claramente elas tinham um edema.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Origem gen\u00e9tica<\/h2>\n<p>De acordo com o m\u00e9dico especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular, Vitor Gornati, o lipedema foi descrito pela primeira vez na d\u00e9cada de 1940, mas s\u00f3 passou a receber mais aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores e especialistas h\u00e1 cerca de 10 anos. <strong>Estima-se que de 10% a 12% das mulheres brasileiras tenham a doen\u00e7a em algum n\u00edvel<\/strong>, complementa Gornati, que tamb\u00e9m \u00e9 membro da \u00a0Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.<\/p>\n<p>&#8220;Em 99% das vezes, o lipedema acomete mulheres, porque \u00e9 uma doen\u00e7a que est\u00e1, de certa forma, relacionada ao estrog\u00eanio, que \u00e9 um horm\u00f4nio feminino. Ent\u00e3o, ela acomete lugares onde a pessoa tem mais esse receptor espec\u00edfico de estrog\u00eanio, o que faz a gordura crescer. E \u00e9 uma doen\u00e7a de origem gen\u00e9tica. Na grande maioria das vezes, a gente identifica que algu\u00e9m na fam\u00edlia tamb\u00e9m tem ou tinha lipedema&#8221;, explica Gornati.<\/p>\n<p>O especialista tamb\u00e9m confirma a percep\u00e7\u00e3o\u00a0de Kallyne\u00a0e diz que o lipedema costuma dar alguns sinais j\u00e1 na adolesc\u00eancia, mas eles, geralmente, passam despercebidos.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;O lipedema \u00e9 uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica e progressiva. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, na adolesc\u00eancia, a pessoa j\u00e1 percebe que tem a perna uma pouco mais grossinha, com um aspecto um pouco diferente. Ao longo da da vida, passa uma gesta\u00e7\u00e3o, tem um ciclo de ganho de peso\u00a0ou de perda de peso, e a doen\u00e7a aparece. Geralmente, \u00e9 como se voc\u00ea tivesse um corpo em cima\u00a0e outro corpo embaixo. E, quando voc\u00ea emagrece, perde gordura no rosto, na cintura&#8230; mas as pernas, coxa, gl\u00fateo e, muitas vezes, a parte superior no bra\u00e7o n\u00e3o emagrecem na mesma propor\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Gornati acrescenta que <strong>a pessoa com lipedema tamb\u00e9m t\u00eam mais facilidade de sofrer les\u00f5es vasculares, ou seja, desenvolver hematomas \u00e0 menor press\u00e3o<\/strong>. Uma pesquisa recente conduzida pelo Centro M\u00e9dico da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, com mais de 900 pessoas, mostrou que as mulheres com lipedema t\u00eam 11 vezes mais preval\u00eancia de varizes.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma doen\u00e7a que acomete tudo o que a gente chama de tecido conjuntivo frouxo.\u00a0Isso inclui\u00a0a gordura, mas tamb\u00e9m os vasos e as articula\u00e7\u00f5es. E a pessoa com lipedema\u00a0tem 30% mais dificuldade de ganhar massa muscular, que \u00e9 o que ajuda a proteger essas articula\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, ela tamb\u00e9m tende a ter hipermobilidade, frouxid\u00e3o ligamental, e, quando ganha peso, acaba sobrecarregando o joelho, o quadril.\u00a0Com o tempo, pode desenvolver artrose &#8220;, complementa o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 medicamento para o lipedema, e o tratamento costuma envolver dieta, exerc\u00edcios f\u00edsicos, massagens de drenagem linf\u00e1tica e libera\u00e7\u00e3o miofacial.\u00a0Em casos extremos, \u00e9 poss\u00edvel\u00a0lipoaspira\u00e7\u00e3o das partes mais afetadas.\u00a0Kallyne destaca a diferen\u00e7a que essas mudan\u00e7as podem fazer:<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;O meu desconforto s\u00f3 diminuiu por causa do tratamento que eu estou fazendo, mas, quando eu n\u00e3o fa\u00e7o exerc\u00edcio ou saio da minha dieta, a minha perna incha ao ponto de eu engordar 2 kg de um dia para o outro&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Estigma<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a melhora proporcionada pelo tratamento, Kallyne\u00a0deseja fazer uma cirurgia pl\u00e1stica para retirar a pele excessiva que ficou ap\u00f3s a perda de peso e a desinflama\u00e7\u00e3o do tecido adiposo. Ela\u00a0torce para que novas pesquisas encontrem alternativas medicamentosas para tratar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que o desinteresse em pesquisas sobre a doen\u00e7a nas d\u00e9cadas passadas tem a ver com o machismo e a gordofobia. Inclusive, at\u00e9 hoje, muitas pessoas n\u00e3o procuram ajuda, porque ainda existe essa ideia na sociedade de que a pessoa est\u00e1 assim porque n\u00e3o se esfor\u00e7a o suficiente, n\u00e3o faz dieta, n\u00e3o faz exerc\u00edcio&#8230; Ainda mais sendo uma doen\u00e7a de mulheres&#8221;.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Vitor Gornati, concorda: &#8220;Eu tenho in\u00fameras pacientes que falam: &#8216;Nossa, eu sofro com essa perna h\u00e1 20 anos e ningu\u00e9m nunca me disse que isso tinha um nome&#8217;. Tem paciente que chega a chorar no consult\u00f3rio, de al\u00edvio, porque, antes, elas realmente achavam que estavam daquele jeito por culpa delas, por estarem fazendo alguma coisa de errado. Ainda mais sendo uma condi\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 gordura, que tem todo um estigma&#8221;.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como muitas pessoas, a professora Kallyne Kafuri Alves acabou ganhando alguns quilos durante o isolamento social da pandemia de covid-19. 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