O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou na última segunda-feira (13) o titular do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller, após onze meses à frente da autarquia previdenciária, em razão da incapacidade demonstrada pelo gestor de reduzir de forma satisfatória o estoque de requerimentos de benefícios represados, que chegou a 2,7 milhões de casos em março de 2026. Para o lugar de Waller, o Palácio do Planalto designou Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ocupava o cargo de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social.
A decisão foi tomada num contexto de crescente pressão política sobre a gestão previdenciária, especialmente levando em conta que o Brasil caminha para um ciclo eleitoral que se inicia formalmente ainda neste ano. A fila do INSS, que no auge do escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões chegou a proporções ainda mais graves, havia apresentado uma redução de aproximadamente 300 mil casos nos últimos meses, passando de cerca de 3 milhões para 2,7 milhões. No entanto, o Palácio do Planalto considerou o ritmo de queda absolutamente insuficiente, especialmente diante do impacto eleitoral que a insatisfação dos segurados pode gerar em outubro.
Gilberto Waller assumiu o comando do INSS em meados de 2025, sucedendo ao gestor que estava à frente da autarquia quando veio a público o escândalo de R$ 6,3 bilhões em cobranças irregulares realizadas por associações de aposentados e pensionistas mediante convênios supostamente fraudulentos com a entidade. Embora Waller não fosse responsável pelos fatos que originaram a crise, herdou o peso institucional do escândalo e não conseguiu reverter a percepção de ineficiência que se consolidou na opinião pública. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que o governo considera superada a crise dos descontos indevidos e que a prioridade agora é a redução da fila.
A nova titular do INSS assume uma tarefa de alta complexidade operacional e política. A fila de 2,7 milhões representa segurados que aguardam, em muitos casos, por meses ou até mais de um ano, a análise de pedidos de aposentadoria, auxílio-doença, pensão por morte e outros benefícios previdenciários. O prazo legal para análise dos requerimentos é de 45 dias, mas há registros de casos aguardando análise por tempo muito superior. A pressão para reduzir esse estoque antes das eleições torna o desafio da nova gestão ainda mais urgente.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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