Fumaça de queimadas mantém Manaus com o pior ar do país pelo sétimo dia e suspende aulas presenciais

A fumaça de queimadas manteve Manaus, nesta quarta-feira (14), com a pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma IQAir, pelo sétimo dia consecutivo. A situação levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).
Por volta das 8h, o índice de qualidade do ar na capital chegou a 132, classificado como "não saudável para grupos sensíveis". O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA, mediu concentrações entre as categorias "ruim" e "péssimo". O pior registro foi no bairro Morro da Liberdade, com 165,5 microgramas de partículas por metro cúbico de ar (µg/m³). O Selva considera a qualidade boa quando a concentração fica entre 0 e 25 µg/m³.
Como a fumaça chegou à cidade
Simulações do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) indicam que a fumaça veio de queimadas a leste de Manaus, desde o Pará. A análise cobre as trajetórias das massas de ar a partir de 10 de outubro, segundo O Globo. No Amazonas, a maior concentração de focos está na Região Metropolitana, em cidades como Itacoatiara, Autazes, Careiro e Careiro da Várzea.
Desde 10 de outubro, mais da metade dos 3.644 focos de queimada registrados no Brasil, 52,5%, ocorreu no Pará (1.188) e no Amazonas (726), de acordo com o levantamento citado pelo jornal. Um foco de queimada é um ponto detectado por satélite com sinal de fogo ativo. A contagem indica a ocorrência do fogo, mas não define sua causa.
Escolas e universidades
A Prefeitura de Manaus suspendeu novamente as aulas presenciais na rede municipal, alegando a manutenção dos índices críticos e o seguimento das orientações dos órgãos competentes. Na terça-feira (13), a Secretaria Municipal de Educação havia informado que as atividades voltariam nesta quarta. A UEA suspendeu as aulas e atividades acadêmicas presenciais em suas unidades na capital, em todos os turnos, e passou o trabalho administrativo para o modo remoto.
Em Maués, município do interior, a concentração de partículas chegou a 215 µg/m³, classificada como "péssima". As aulas presenciais e as atividades esportivas foram suspensas, segundo o g1. Outros municípios também apresentaram índices altos: Manaquiri (284,3 µg/m³), Autazes (176,7) e Urucurituba (157,9).
Focos de incêndio e resposta
O Amazonas registrou cerca de 1,6 mil focos nos primeiros 14 dias de outubro. O g1 informa aumento superior a 270% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 473 registros, com base no Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). A conta aproximada com os números arredondados dá variação menor que a divulgada, e o dado exato deve ser conferido no painel.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabilizou 1.485 focos na Amazônia em 48 horas, nos dias 11 e 12 de outubro, contra 47 no Cerrado, 16 na Caatinga e dois no Pantanal, segundo A Crítica.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que extinguiu 292 incêndios no estado entre junho e outubro e combatia outros oito. A operação mobiliza 11 aeronaves, entre aviões, helicópteros e aeronaves de apoio logístico. O órgão notificou previamente 725 propriedades rurais sobre o alto risco de propagação do fogo, realiza vistorias e já autuou parte dos responsáveis. A força-tarefa concentra ações em Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara.
Saúde e contexto climático
O Ministério da Saúde enviou, em 11 de outubro, equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para apoiar a rede estadual e municipal. O governo federal reconheceu em 10 de outubro a emergência decretada pelo Amazonas em 36 municípios. O Ministério do Meio Ambiente aponta ação proposital, e a origem dos focos está sob investigação. A exposição à fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, segundo o comunicado do ministério.
A Fiocruz identificou concentração de partículas finas (PM2.5) acima do limite da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Manaus e alerta para risco à saúde indígena. PM2.5 são partículas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, pequenas o bastante para atingir os alvéolos pulmonares. A Reuters relaciona o aumento dos incêndios na Amazônia ao El Niño e às mudanças climáticas e informa que Manaus, com mais de 2 milhões de habitantes, cancelou eventos ao ar livre.
Há divergências de medição. A Defesa Civil municipal registrou 200 µg/m³ às 22h de 8 de outubro, conforme O Globo. Outra medição, do Selva, citada por veículos, chegou a 337 µg/m³ naquela noite, o que reflete sensores e metodologias distintos.
O que ainda não se sabe
Não há previsão oficial de retomada das aulas presenciais na rede municipal. A origem de cada foco depende de perícia, e as autoridades não divulgaram, até a publicação, balanço de responsabilizações criminais. Atualizações serão incorporadas conforme novos dados da prefeitura, do Ibama e da Defesa Civil.
