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ELEIÇÕES 2026 NA BAHIA

Com nomes competitivos na corrida pelo Palácio de Ondina e duas vagas ao Senado, Bahia entra no ciclo eleitoral com forte polarização, disputas partidárias e um eleitorado ainda em busca de respostas para os principais desafios do estado.

ELEIÇÕES 2026 NA BAHIA

ELEIÇÕES 2026 NA BAHIA


ACM Neto e Jerônimo Rodrigues aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas mais recentes, enquanto disputa pelo Senado coloca nomes tradicionais e oposição frente a frente

Por JN Notícias — Redação JN Notícias / Josenilson Almeida

Feira de Santana – Bahia | 14 de agosto de 2026


A eleição de 2026 começa a assumir contornos cada vez mais definidos na Bahia. A disputa pelo Governo do Estado coloca novamente em lados opostos duas das principais forças políticas baianas: o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). Ao mesmo tempo, a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal movimenta partidos, lideranças e bases eleitorais em praticamente todas as regiões do estado.


O cenário, entretanto, ainda está longe de representar uma eleição decidida. As pesquisas mais recentes apresentam resultados diferentes conforme o instituto e a metodologia utilizada. Em comum, os levantamentos indicam uma disputa competitiva e um eleitorado que ainda pode modificar suas escolhas ao longo da campanha.


Governo da Bahia: uma disputa marcada pelo equilíbrio


O levantamento mais recente do Real Time Big Data, divulgado em 11 de agosto, mostra ACM Neto numericamente à frente de Jerônimo Rodrigues no primeiro turno, mas dentro da margem de erro. No principal cenário estimulado, Neto aparece com 44%, enquanto Jerônimo registra 42%. Ronaldo Mansur, do PSOL, aparece com 2%; José Estêvão, do DC, com 1%; e Aroldo Félix, da UP, não alcança 1%.

No segundo cenário estimulado testado pelo mesmo instituto, ACM Neto chega a 45%, contra 42% de Jerônimo Rodrigues. Em uma eventual segunda etapa da eleição entre os dois principais nomes, o resultado também aponta proximidade: 45% para Neto e 44% para Jerônimo. Ou seja, estatisticamente, trata-se de uma disputa aberta.


Outro dado chama atenção. Na pesquisa espontânea do Real Time Big Data, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Jerônimo Rodrigues e ACM Neto aparecem empatados em 17%. O número de eleitores que ainda não definiu sua escolha chega a 53%, mostrando que existe uma parcela expressiva do eleitorado que ainda não está vinculada a um nome.


A pesquisa Paraná Pesquisas, realizada entre 31 de julho e 2 de agosto, apresentou um quadro mais favorável a ACM Neto. No cenário estimulado, o ex-prefeito de Salvador registrou 48,9%, contra 39,7% de Jerônimo Rodrigues. Em eventual segundo turno, Neto alcançaria 50,9%, enquanto Jerônimo teria 40%.

A diferença entre os levantamentos reforça uma questão importante: pesquisa eleitoral é fotografia do momento, não previsão do resultado das urnas. Métodos, datas das entrevistas, composição da amostra e formulação das perguntas podem produzir resultados diferentes. O próprio acompanhamento das pesquisas mostra que a eleição baiana continua sujeita a mudanças.


PT mantém estrutura política e busca continuidade


O Partido dos Trabalhadores (PT) chega à eleição com uma estrutura política consolidada na Bahia, após vários anos à frente do Governo do Estado. Jerônimo Rodrigues busca a continuidade do projeto político iniciado pelos governos petistas anteriores e conta com o apoio de importantes lideranças do partido e de aliados.

A avaliação do governo também será um dos elementos centrais da campanha. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho apontou que 57% dos entrevistados aprovavam a administração de Jerônimo, enquanto 34% desaprovavam. Na avaliação qualitativa, 37% consideravam a gestão positiva, 35% regular e 23% negativa.

O desafio do governador será transformar avaliação administrativa em intenção de voto. Para isso, a campanha deverá explorar obras, investimentos, segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, geração de empregos e ações realizadas durante o mandato.


ACM Neto tenta voltar ao Palácio de Ondina


Do outro lado está ACM Neto, do União Brasil, que volta a disputar o Governo da Bahia após ter perdido a eleição de 2022 para Jerônimo Rodrigues. O ex-prefeito de Salvador procura apresentar-se como alternativa à continuidade do grupo político que governa o estado.

A oposição chega mais organizada do que em 2022. União Brasil, PL e outras forças políticas passaram a construir uma composição mais ampla em torno da disputa estadual e das eleições para o Senado. Essa articulação poderá ser decisiva para ampliar a presença da oposição no interior da Bahia.

Entre os nomes associados ao campo oposicionista está João Roma (PL), que concorre ao Senado. Também aparece nesse espaço político o senador Angelo Coronel, agora pelo Republicanos. A formação das alianças revela que a eleição não será disputada apenas entre dois nomes para governador, mas envolverá uma complexa composição de partidos e interesses regionais.


Senado: duas vagas e uma disputa estratégica


Em 2026, a Bahia elegerá dois senadores. A disputa coloca frente a frente nomes conhecidos da política estadual e nacional.

No levantamento mais recente do Real Time Big Data, Rui Costa (PT) aparece com 25% das intenções consolidadas, seguido por Jaques Wagner (PT), com 20%. Na sequência, Angelo Coronel, do Republicanos, e João Roma, do PL, aparecem empatados com 15%.

O resultado mostra uma vantagem inicial da dupla petista, mas também revela uma disputa importante pelas posições seguintes. Angelo Coronel e João Roma aparecem tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa.

O Paraná Pesquisas, por sua vez, encontrou percentuais diferentes: Rui Costa apareceu com 44,6%, Jaques Wagner com 35,1%, João Roma com 24,1% e Angelo Coronel com 21,9% no cenário estimulado consolidado. A pesquisa entrevistou 1.400 pessoas e possui margem de erro de 2,7 pontos percentuais.


O eleitor baiano ainda pode mudar o jogo


Um dos pontos mais importantes dos levantamentos é a quantidade de eleitores que ainda não consolidaram sua decisão. Na pesquisa espontânea do Paraná Pesquisas para governador, 39,1% não souberam ou não quiseram opinar, enquanto no levantamento espontâneo do Real Time Big Data esse grupo chegou a 53%.

Isso significa que os candidatos terão pela frente uma batalha não apenas para manter suas bases tradicionais, mas também para conquistar o eleitor independente, o eleitor indeciso e aqueles que ainda não demonstram preferência por nenhum dos principais grupos políticos.

Na prática, temas do cotidiano tendem a pesar cada vez mais. Segurança pública, emprego, saúde, educação, custo de vida, infraestrutura, transporte, água, estradas e qualidade dos serviços públicos devem ocupar espaço importante no debate eleitoral.


A força do interior


Embora Salvador concentre grande parte da atenção política e eleitoral, o interior da Bahia será fundamental para determinar o resultado. Municípios como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, Juazeiro, Itabuna, Ilhéus, Santo Antônio de Jesus e dezenas de outras cidades possuem eleitorados estratégicos.

A capacidade dos candidatos de construir alianças municipais, conquistar prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e representantes regionais poderá fazer diferença em uma eleição equilibrada.

Para o eleitor do interior, a eleição estadual também será avaliada pela capacidade de o governo atender demandas concretas. Obras, hospitais, segurança, estradas, abastecimento de água, desenvolvimento econômico e oportunidades de trabalho podem ter peso maior do que discursos ideológicos.


Rejeição também preocupa candidatos


A rejeição aparece como outro fator relevante. Na pesquisa Real Time Big Data, ACM Neto registrou 44% de rejeição, enquanto Jerônimo Rodrigues apareceu com 43%. No levantamento Paraná Pesquisas, Jerônimo teve 41% e Neto 28,2%.

Os números mostram que ambos possuem eleitorados fiéis, mas também enfrentam resistência de parcelas significativas da população. Em uma eventual disputa de segundo turno, a capacidade de conquistar votos de eleitores que hoje rejeitam os dois principais candidatos poderá ser determinante.


O papel dos partidos


A eleição baiana coloca em evidência diferentes campos partidários. De um lado, o PT, com sua estrutura histórica no estado, acompanhado por partidos aliados. Do outro, o União Brasil, que busca liderar uma frente de oposição, contando com nomes de partidos como PL e Republicanos.

Também participam da disputa legendas menores, como PSOL, UP e DC, que apresentam candidaturas próprias e podem influenciar o debate eleitoral, ainda que apareçam com percentuais menores nas pesquisas.

Mesmo candidaturas com números reduzidos podem desempenhar papel importante em uma eleição apertada, principalmente na formação do debate público, na exposição de propostas e na eventual transferência de votos em uma segunda etapa.


Pesquisa não substitui a urna


O JN Notícias ressalta que os números apresentados nesta reportagem devem ser interpretados dentro de seus respectivos períodos e metodologias. A pesquisa Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre 6 e 10 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BA-00277/2026.

Já o Paraná Pesquisas ouviu 1.400 eleitores entre 31 de julho e 2 de agosto, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BA-03043/2026.

O Tribunal Superior Eleitoral mantém consulta pública das pesquisas eleitorais registradas, permitindo verificar informações sobre metodologia, contratante, período de realização e registro.


Uma eleição ainda sem vencedor definido


O cenário atual permite uma conclusão objetiva: a eleição para o Governo da Bahia está aberta. ACM Neto aparece à frente em alguns levantamentos, enquanto Jerônimo Rodrigues mantém forte competitividade e aparece tecnicamente empatado em pesquisas recentes.

Para o Senado, os levantamentos apontam vantagem inicial para Rui Costa e Jaques Wagner, mas a disputa pelas duas cadeiras ainda envolve nomes competitivos como João Roma e Angelo Coronel.

Até outubro, muitos fatores poderão alterar esse cenário: alianças, debates, propaganda eleitoral, desempenho dos candidatos, fatos políticos, avaliação dos governos e, principalmente, a capacidade de cada candidatura dialogar com o eleitor.


O ponto de vista do JN Notícias


Na avaliação editorial do JN Notícias, o eleitor baiano deve ser colocado no centro do processo. Mais importante do que simplesmente acompanhar quem lidera uma pesquisa é analisar quem apresenta propostas concretas, quem possui histórico de gestão, quais são as prioridades para o estado e quais compromissos podem efetivamente ser cobrados depois da eleição.

A política deve ser acompanhada com responsabilidade e sem paixão partidária transformar informação em propaganda. O eleitor tem o direito de comparar, questionar e decidir livremente.

A Bahia é maior do que qualquer partido ou candidatura. A escolha de 2026 deverá representar não apenas uma disputa entre grupos políticos, mas uma decisão sobre qual projeto de estado o eleitor deseja para os próximos anos.

O JN Notícias continuará acompanhando a corrida eleitoral, ouvindo diferentes posições e apresentando dados de pesquisas registradas, sempre procurando preservar o compromisso com a informação, a ética


jornalística, o contraditório e a responsabilidade perante o leitor.


JN Notícias — Informação que acontece. Notícia que transforma.

Redação JN Notícias / Josenilson Almeida

Feira de Santana – Bahia – Brasil

Redação JN Noticias/Josenilson Almeida

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