O ano de 2026, que o calendário eleitoral transforma inevitavelmente em arena de demonstração de dividendos governamentais, encontra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num movimento de expansão fiscal de largo espectro que combina a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5.000,00 mensais, a ampliação dos programas Gás do Povo e Luz do Povo — com impacto estimado em R$ 155 bilhões para as famílias de baixa renda ao longo do ano —, a possível liberação de R$ 17 bilhões do FGTS para endividados e uma nova faixa do programa Minha Casa Minha Vida destinada a famílias de renda média, configurando um conjunto de medidas cujo alcance fiscal acumulado desafia qualquer classificação que não seja a de um esforço deliberado e ostensivo de estímulo à demanda doméstica às vésperas de uma eleição presidencial. O Ministério da Fazenda não apresentou até o momento uma estimativa consolidada do impacto das medidas sobre o déficit primário, omissão que por si só é interpretada pelo mercado financeiro como indicativo de que os números podem ser incômodos diante dos compromissos de sustentabilidade fiscal assumidos pelo governo.
Os programas Gás do Povo e Luz do Povo, criados em 2025 e destinados respectivamente ao subsídio do gás de cozinha e à redução da conta de energia elétrica para famílias de baixa renda, tornaram-se a vitrine social da gestão Lula e uma de suas apostas mais seguras de rendimento eleitoral — afinal, o alívio no custo da energia e do gás é uma das experiências mais concretamente sentidas pelo eleitor de menor renda em seu cotidiano, muito mais palpável do que a discussão sobre reformas estruturais ou sobre metas de inflação. A isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000,00, por sua vez, mira o eleitor de classe média — segmento que nas eleições municipais de 2024 demonstrou clara predileção por candidatos de centro-direita, e cuja recuperação é percebida pelo PT como condição necessária para a reeleição de Lula. O risco, amplamente documentado pelos economistas consultados no Boletim Focus do Banco Central, é que esse conjunto de estímulos simultâneos, aplicado num momento de inflação já pressionada pela guerra no Oriente Médio, produza o paradoxo de confortar o consumidor no curto prazo enquanto corrói seu poder de compra no médio prazo pela via do encarecimento dos preços, o tipo de resultado que transforma dividendos eleitorais de hoje em passivos políticos de amanhã.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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