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GESTÃO JOSÉ RONALDO SOB PRESSÃO

GESTÃO JOSÉ RONALDO SOB PRESSÃO


GESTÃO JOSÉ RONALDO SOB PRESSÃO: DENÚNCIA DE SUPOSTA PROPINA, CONTROVÉRSIA SOBRE REGULAÇÃO E COBRANÇAS POR SERVIÇOS PÚBLICOS ENTRAM NO CENTRO DO DEBATE EM FEIRA DE SANTANA


Por Josenilson Almeida – Jornalista | JN Notícias

Feira de Santana – Bahia


A administração do prefeito José Ronaldo de Carvalho (União Brasil) atravessa um período de forte exposição pública diante de questionamentos envolvendo diferentes áreas da gestão municipal. Nos últimos dias, denúncias apresentadas na Câmara Municipal, uma controvérsia envolvendo números da regulação estadual de saúde e reclamações da população sobre serviços urbanos ampliaram a cobrança por respostas objetivas do Poder Público.

O cenário exige, entretanto, uma distinção fundamental entre denúncias, declarações políticas, fatos comprovados e procedimentos ainda em investigação. Até o momento, não há comprovação pública de que exista um esquema de corrupção envolvendo servidores municipais. O que existe é uma denúncia formalizada politicamente, seguida da abertura de uma sindicância administrativa destinada justamente a verificar se os fatos ocorreram.

DENÚNCIA DE SUPOSTA COBRANÇA DE PROPINA CHEGA À SINDICÂNCIA


O episódio de maior repercussão começou em 19 de agosto, quando o vereador Galeguinho SPA (União Brasil), integrante da base governista e também empresário do setor da construção civil, afirmou na tribuna da Câmara Municipal que fiscais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) estariam cobrando valores indevidos para realizar fiscalizações e acelerar procedimentos relacionados a obras, incluindo a emissão do Habite-se.


Segundo relatos publicados por veículos de imprensa que acompanharam a sessão, o parlamentar mencionou pagamentos informais que poderiam variar entre R$ 200 e R$ 400. A acusação, contudo, não equivale, por si só, à comprovação de crime ou de responsabilidade individual de qualquer servidor.

Diante da gravidade da denúncia, o prefeito José Ronaldo determinou a abertura de uma sindicância. A medida foi formalizada no Diário Oficial do Município por meio da Portaria nº 1.576/2026. A comissão recebeu prazo de 30 dias, contado da publicação, para apresentar relatório conclusivo ao Gabinete do Prefeito.

A Procuradoria-Geral do Município também solicitou ao vereador que apresentasse informações capazes de individualizar os envolvidos. A providência é importante porque uma investigação administrativa precisa trabalhar com elementos verificáveis: nomes, datas, processos, obras, documentos, pagamentos, testemunhas e eventuais registros que permitam reconstruir os fatos.


É justamente nesse ponto que a denúncia deverá deixar o campo político e entrar no campo probatório.


Caso as acusações sejam confirmadas, poderão ser adotadas medidas administrativas e, dependendo dos elementos encontrados, o caso poderá também ter repercussões nas esferas civil e criminal.

Por outro lado, se não forem encontrados elementos suficientes, a investigação deverá registrar essa conclusão. O princípio da presunção de inocência impede que servidores sejam tratados como culpados antes da conclusão das apurações.


REGULAÇÃO: O QUE ESTÁ COMPROVADO E O QUE AINDA PRECISA SER ESCLARECIDO?


Outro episódio que colocou a Prefeitura de Feira de Santana no centro das atenções envolve as declarações do prefeito José Ronaldo sobre a regulação de pacientes para a rede estadual de saúde.

O prefeito afirmou publicamente que aproximadamente 700 pessoas teriam morrido em Feira de Santana, em 2025, enquanto aguardavam atendimento pelo sistema de regulação. A declaração provocou reação do Governo da Bahia e da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).


A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, afirmou que o número não encontrava respaldo nos sistemas oficiais e solicitou ao prefeito a apresentação da fonte, da metodologia e dos documentos utilizados para chegar à estatística.

A cobrança foi formalizada por meio do Ofício nº 802/2026, expedido pela Sesab em 13 de agosto.

A partir daí, surgiu uma questão central para a sociedade feirense:


Qual é a origem exata dos 700 casos mencionados pelo prefeito?


A resposta precisa ser documental.

José Ronaldo, posteriormente, afirmou que encaminhou ao Ministério Público documentos relacionados aos casos. Segundo o prefeito, a iniciativa tem o objetivo de permitir que os fatos sejam analisados pelas instituições competentes.

Portanto, neste momento, o jornalismo responsável não deve afirmar que “700 pessoas morreram por falta de regulação” como fato definitivamente comprovado, tampouco afirmar que a informação é falsa sem que os documentos sejam analisados.

A verdade deverá resultar do confronto entre a documentação apresentada pelo município, os registros oficiais do Estado e a análise dos órgãos de controle.

Essa é uma questão de enorme interesse público porque envolve vidas humanas e a responsabilidade compartilhada dentro do Sistema Único de Saúde.


UM PONTO QUE PRECISA SER CORRIGIDO: FEIRA JÁ AVANÇOU NA CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL MUNICIPAL


Também é necessário corrigir uma informação que vem sendo repetida no debate político: afirmar atualmente que Feira de Santana simplesmente “não tem hospital municipal” sem contextualização produz uma informação incompleta.

Em março de 2026, a Prefeitura havia lançado o processo para contratação da parceria destinada à construção do Hospital Municipal. Em agosto, o projeto avançou para a etapa de contratação e início da construção.

Segundo informações divulgadas pela Câmara Municipal, o contrato prevê investimento de aproximadamente R$ 170 milhões, incluindo obras e equipamentos. O hospital está sendo implantado na região do bairro São João e deverá integrar a rede pública de saúde.

Isso não significa que a população já disponha do hospital em funcionamento.

O ponto jornalisticamente correto é outro: Feira de Santana está construindo um Hospital Municipal, mas o equipamento ainda não está disponível para atendimento à população.

Essa diferença é fundamental.

Enquanto a obra não estiver concluída, equipada, licenciada e efetivamente funcionando, o município continuará dependendo da estrutura existente e, para atendimentos de maior complexidade, da rede regional e estadual.


LIMPEZA URBANA: NOVA TECNOLOGIA, MAS O TESTE SERÁ NAS RUAS


Na área da limpeza urbana, a Prefeitura apresentou recentemente uma nova estratégia de mecanização.

Uma varredora mecanizada V65 Bucher entrou em fase de testes em Feira de Santana. O equipamento reúne funções de varrição, sucção e capina e começou a ser utilizado na Avenida Nóide Cerqueira.

Segundo informações divulgadas pela administração, a expectativa é remanejar aproximadamente 200 profissionais que atualmente trabalham nas avenidas para atividades de manutenção das ruas dos bairros.

A iniciativa pode representar ganho de produtividade.

Mas existe uma pergunta que precisa ser respondida pela realidade cotidiana:


A mecanização conseguirá efetivamente melhorar a limpeza nos bairros e reduzir os pontos de acúmulo de lixo, mato e resíduos?


A resposta não virá apenas das imagens da entrega ou dos testes da máquina. Ela deverá ser medida pela população e pelos indicadores do serviço.

Outro dado relevante para o debate é que o Município contratou, em junho de 2026, a empresa Sustentare Saneamento S/A para serviços contínuos de limpeza urbana, manutenção e conservação da cidade, em contrato de 60 meses no valor de R$ 732.457.322,40.

O volume financeiro do contrato reforça a necessidade de fiscalização rigorosa.

Quanto o município paga?

Qual é a quantidade de equipes em operação?

Quantos quilômetros de ruas são atendidos?

Qual é a frequência da capinação?

Quais são os indicadores de qualidade?

Existem multas ou descontos quando o serviço não é executado conforme contratado?

Essas são perguntas legítimas de uma sociedade que financia o serviço por meio dos impostos.


MATOS, ESCOLAS E SERVIÇOS: A EXPERIÊNCIA DO CIDADÃO TAMBÉM PRECISA SER OUVIDA


Nas ruas, moradores têm apresentado reclamações sobre mato, limpeza, conservação de espaços públicos e condições de determinadas unidades da rede municipal de ensino.

Essas manifestações não devem ser automaticamente tratadas como prova de fracasso administrativo, mas também não podem ser ignoradas.

Uma gestão pública precisa ser avaliada por indicadores objetivos e pela experiência cotidiana dos cidadãos.

No caso das escolas, por exemplo, uma investigação jornalística responsável deveria levantar individualmente as unidades que apresentam problemas, verificar as condições estruturais, identificar contratos de manutenção, consultar a Secretaria Municipal de Educação, ouvir gestores, professores, pais e alunos e confrontar as informações com documentos oficiais.

O mesmo princípio deve ser aplicado à limpeza urbana.

Não basta dizer que a cidade está limpa. Não basta dizer que está suja. É preciso medir, documentar e comparar.


O CONTRAPONTO: A PREFEITURA TAMBÉM APRESENTA AÇÕES


Uma reportagem equilibrada precisa registrar também as ações apresentadas pelo governo municipal.

Além da nova tecnologia para limpeza urbana, a Prefeitura vem divulgando investimentos na saúde, incluindo reformas e ampliação de serviços, e apresenta como uma de suas principais iniciativas a implantação do Hospital Municipal.

O prefeito também tem utilizado entrevistas e agendas públicas para defender a administração e responder às críticas.

Esse direito de resposta e de defesa é indispensável em qualquer cobertura jornalística.

Da mesma forma, opositores, vereadores, servidores, entidades representativas e cidadãos têm direito de apresentar suas versões e questionamentos.


O QUE A SOCIEDADE FEIRENSE DEVE COBRAR?


Diante desse cenário, o debate não deveria se limitar à disputa entre grupos políticos.

A população tem o direito de cobrar:


1. Na denúncia da Sedur:

Que a sindicância identifique se houve ou não cobrança ilegal, quem estaria envolvido, quais valores foram eventualmente cobrados e quais medidas serão adotadas.

2. Na regulação:

Que sejam apresentados os documentos que sustentam a afirmação sobre as 700 mortes e que esses dados sejam confrontados com os sistemas oficiais da Sesab e analisados pelos órgãos competentes.

3. No Hospital Municipal:

Que a população acompanhe cronograma, orçamento, execução da obra, equipamentos, modelo de gestão e prazo efetivo para início do atendimento.

4. Na limpeza urbana:

Que o município demonstre se o elevado volume de recursos destinado ao serviço está produzindo resultados compatíveis com o contrato.

5. Na educação:

Que problemas estruturais apontados pela população sejam identificados unidade por unidade e recebam solução documentada.


A VERDADE PRECISA RESISTIR À DISPUTA POLÍTICA


Feira de Santana não precisa de versões cuidadosamente construídas para agradar situação ou oposição.

Precisa de fatos.

A denúncia de suposta propina precisa ser investigada até o fim. A sindicância deve produzir respostas.

A controvérsia sobre as mortes atribuídas à fila da regulação precisa ser submetida à documentação e ao exame das instituições competentes.

O Hospital Municipal precisa sair do campo das promessas e chegar efetivamente ao atendimento da população.

A nova máquina de limpeza precisa ser avaliada pelos resultados concretos nas ruas.

E as reclamações dos moradores precisam ser transformadas em dados, fiscalização e soluções.

O papel do jornalismo, nesse cenário, não é escolher um lado político.

É fiscalizar o poder, ouvir todos os envolvidos, conferir documentos, separar fato de opinião, proteger o direito de resposta e informar a sociedade com responsabilidade.

É exatamente nesse princípio que se sustenta o trabalho jornalístico.


JN NOTÍCIAS — Feira de Santana, Bahia

Josenilson Almeida

Jornalista – JN Notícias


Compromisso com a informação, a apuração e o interesse público.


Nota editorial: esta reportagem considera informações disponíveis publicamente até 1º de setembro de 2026. Alegações e acusações foram tratadas como alegações enquanto não houver comprovação por investigação ou decisão das autoridades competentes.

Redação JN Noticias/Josenilson Almeida

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